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Quem foi Colette?

Ela nasceu Sidonie Gabrielle Colette. Eternizou-se Colette. A escritora revolucionária voltou às pautas dos cadernos de cultura e de moda devido ao filme homônimo que estreou no fim do ano passado, estrelado pela musa das produções de época, Keira Knightley.

Colette foi senhora do início do século XX, no sentido de prenunciar comportamentos que só viriam a ser aceitos muitas décadas depois – alguns nem até hoje. Em seus textos e em sua vida pessoal foi inspiração, principalmente quando o assunto era a emancipação da mulher frente aos limitados papéis possíveis até então. Na França da Belle Époque, Colette brilhou até que a Primeira Guerra Mundial cessasse a efervescência de todas as ilusões.

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Apesar de ter crescido no pequeno bairro francês de Saint-Sauveur-en-Puisaye, região da Borgonha, Colette teve de seus pais refinada educação para as artes, principalmente por parte de sua mãe.

Mudou para Paris tempos depois na companhia do sedutor Henry Gauthier-Villars, seu marido, também escritor. Contudo, a experiência na capital a fazia se sentir deslocada, entediada. Ela nem imaginava que um dia faria parte de círculos sociais invejáveis.

Autora de livros controversos, uma escrita que priorizava o feminino, embora uma visão inconformista, para o início do século XX era algo e tanto considerando os princípios morais vigentes.

Assim como aconteceu mais de um século antes com Mary Shelley, autora de Frankenstein, quando o talento de Colette se tornou evidente seus textos começaram a ser publicados com o nome do marido. Foi assim com os principais livros que traziam Claudine como a grande personagem. O primeiro deles foi Claudine à l’École, publicado em 1900.

A personagem era tão grande, principalmente pelo contraste com a realidade das mulheres da época, que rendeu mais três livros: Claudine à Paris, de 1901; Claudine en Ménage, 1902; e Claudine s’en Va, de 1903.

É evidente que para qualquer pessoa talentosa, ficar à sombra de outra não é algo confortável. Não poder se exercer completamente, se assumir, leva Colette aos primeiros conflitos com o marido, culminando no divórcio em 1905.

É nessa época que Colette assume de vez a carreira de escritora e acaba se tornando também atriz. Publica então Chéri, em 1920; e Gigi, em 1944, seus dois maiores best-sellers. Colette foi indicada ao Prêmio Nobel de Literatura em 1948, mas perdeu para o poeta modernista britânico T. S. Eliot. Que época!

Colette não foi apenas nome da literatura de sua época, mas também da moda. Se seus textos quebravam padrões, suas roupas também. No filme de Wash Westmoreland, os figurinos ficaram a cargo de Andrea Flesch, que concorre ao Oscar 2019 de Melhor Figuro. O filme vale a pena ser visto por isso também. Keira Knightley encanta com vestidos e ternos, sempre sem espartilhos, é claro.

Para sempre nos livros e nas telas, Colette morre em 1954, aos 81 anos. Despediu-se da vida tendo-a vivido intensamente.

Equipe Opte+

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